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Ruy Rezende, Edifício Cidade Nova,RJ.


Data: 30/06/2009

por Cida Paiva, revista Finestra

Corte esquemático - análise de reflexão de calor
 
Sistemas geram economia de energia
 
Em vez de uma ilha de calor, uma ilha de sustentabilidade. O projeto do edifício Cidade Nova, no Rio de Janeiro, adotou todos os conceitos que garantem seu credenciamento com o selo Leed, do United States Green Building Council (USGBC), com destaque para o sistema de ar condicionado insuflado pelo piso.
 

O prédio tem fachadas duplas, vidros de baixa emissividade e clarabóia com persianas movimentadas por controle remoto, mas os dispositivos que o tornam sustentável vão muito além. São decisões tomadas na fase de projeto que resultam em eficiência não apenas energética, como econômica e de menor impacto ambiental, a partir dos sistemas utilizados. Dos projetos à execução do edifício, todos os cuidados foram tomados. Na etapa de fundação, foi prevista a descontaminação do solo e o descarte apropriado do lixo e do entulho. Um programa de coleta seletiva e reciclagem de materiais permitiu que todo o resíduo gerado pela obra fosse selecionado e encaminhado para empresas de reciclagem credenciadas. Para otimizar o uso da água foram implantados sistemas de coleta pluvial e da condensação do sistema de ar condicionado, que atendem a cerca de 40% do consumo diário do Cidade Nova, segundo informações do arquiteto Ruy Rezende, autor do projeto de arquitetura.

 

Mas a implantação de todos esses dispositivos teria sido em vão, não fosse o foco direcionado para o sistema de ar condicionado, projetado para garantir a redução da emissão de CFC pela escolha do gás, a eficiência energética do próprio equipamento e a geração de água gelada por múltiplos chillers a ar, com ampla capacidade de modulação. Com isso, otimizou-se o desempenho daquele que é apontado como o grande vilão quando o assunto é a eficiência energética das edificações, responsável, segundo estudos, por cerca de 50% a 60% do consumo de energia em um prédio do porte do Cidade Nova.

 

O sistema de condicionamento do ar implantado no edifício é do tipo água gelada com distribuição de ar predominantemente pelo piso, com volume variável. Os ventiladores de distribuição de ar são acionados por variadores de freqüência com redução da vazão em carga parcial, economizando energia. O que diferencia esse sistema daqueles normalmente utilizados em edifícios comerciais é o insuflamento pelo piso, com elevada eficiência, tanto de energia quanto de qualidade do ar. "Essa solução resulta em economia de energia em torno de 25% em relação ao processo convencional", explica o engenheiro Edison Tito Guimarães, diretor geral da Datum, empresa responsável pelo projeto de ar condicionado do Cidade Nova.

 

O ar é insuflado pelo piso e tem retorno pelas frestas, no fundo das luminárias e, depois, pelo entreforro, até as casas de máquinas, em altura considerada zona de conforto térmico para o ser humano. Com isso, segundo Guimarães, obtém-se rendimento melhor do que aquele proporcionado por dutos instalados em tetos e paredes - a qualidade do ar é melhor, com redução no consumo de energia, já que o condicionamento atende somente a área ocupada (até 1,80 metro). Sensores de temperatura, instalados em áreas preestabelecidas, captam a temperatura do ambiente e acionam o sistema de automação, aumentando ou diminuindo a vazão de ar até chegar ao índice de conforto. O próprio piso elevado funciona como um duto plenum, que são câmaras pressurizadas positivamente, com pressão superior à do ambiente, tendo a função de garantir o escoamento homogêneo do ar.

 

RETORNO GARANTIDO

 

Além do condicionamento normal, foram projetados sistemas de tratamento do ar exterior por filtragem e desumidificação, pressão positiva e uso de barreiras progressivas de resíduos, que garantem o conforto ambiental. O aproveitamento máximo dos vidros contribuiu, igualmente, para o conceito sustentável. Fachadas estanques e duplas colaboram com o desempenho térmico e acústico. Houve ainda o cuidado do tratamento do ruído interno por suas diversas fontes geradoras, como casas de máquinas, auditórios e espaços corporativos. Foram implantados grupos distintos de elevadores para atender aos subsolos e andares-tipo, de forma que todo acesso realizado pelo subsolo tenha de fazer, necessariamente, baldeação no térreo. Isso reduz o trajeto dos elevadores dos andares-tipo e otimiza as paradas.

 

Se comparado com um edifício construído nos moldes tradicionais, um green building como o Cidade Nova proporciona redução de 75% de resíduos gerados pela obra, de 30% no consumo de energia, 35% na emissão de CO2, 30% a 50% no consumo de água, 40% em custos com condomínio e manutenção, segundo dados apresentados pelo escritório de arquitetura. De acordo com Ruy Rezende, para construir no Brasil uma edificação alinhada com as exigências de um green building, o investimento adicional é de cerca de 10% (nos Estados Unidos essa porcentagem já está em 7%), mas o retorno previsto ocorre em apenas dois anos.

O edifício ganhou conforto ambiental e redução do consumo
de energia
Área de circulação voltada para o átrio tem proteção térmica
 
Texto resumido a partir de reportagem
de Cida Paiva
Publicada originalmente em FINESTRA

 
 
 

 

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